sexta-feira, 8 de março de 2013

dia de sol e chuva...

De extremos meus sentidos vivem, assim como os ciclos desse clima maluco.

Acordei com frio, senti o vento forte, logo um abafamento transtornante, um sol ardido dolorido... nuvens carregadas e chuvas de granizo, tudo num só dia.

A mãe terra vai mal.

A mãe em mim vai mal, a mulher em mim vai mal. a menina em mim vai mal, a criança em mim tenta suicídio... toda a minha feminilidade parece um transtorno sem fim, parece um fardo ser quem sou. E sou completamente mulher.

E hoje, dia da mulher, pensar sobre o que é ser mulher... é muito pesado em mim.

Queria não ter gênero, não ter sexo, não significar nada a primeira vista pra ninguém. Queria ser neutra... neutro.

Sou uma bolha de sentidos que explodem sem aviso, todos os sentidos que doem... doem porque não sei gritar, bater, revidar, vomitar!

Não sei me impor, não sei me colocar no mundo.

O mundo me engole.

Eu tento me mexer e fico presa na garganta.

Minha garganta amarra junto.

A respiração é prejudicada.

O medo é alimentado.

Nem me debater é possível.

Pensar em fluir é fácil.

Mas fluir parece impossível.